quinta-feira, 23 de abril de 2009

Até sermos um apenas...





Em que pensar agora, senão em ti?



Tu, que me esvaziaste de coisas incertas e trouxeste a manhã da minha noite.






É verdade que te podia dizer "Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?". Mas, ensinaste-me a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou, até sermos um apenas no amor que nos une, contra a solidão que nos divide.

Mas isso é o amor: ver-te mesmo quando não te vejo, ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo aquele que mal corria quando por ele passamos, subindo a margem em que descobri o sentido de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo que o tempo nos rouba.

Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos e o teu rosto de água fresca que eu bebo, com esta sede que não passa.

Tu: a primavera luminosa da minha expectativa, a mais certa certeza de que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste...

Nuno Júdice in Pedro lembrando Inês 

1 comentário:

aldescubierto disse...
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